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Encontros aproximam ciência e saberes comunitários para enfrentar mudanças climáticas no Alto Iguaçu

Realizado em Araucária e Curitiba, ciclo promovido pelo Projeto Observatório Climático do Alto Iguaçu reuniu mais de 100 moradores locais e lideranças para reconhecer vulnerabilidades, fortalecer iniciativas locais e construir caminhos de adaptação climática

O Observatório Climático do Alto Iguaçu, iniciativa da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) realizada em parceria com      a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, concluiu em 29 de agosto o ciclo de encontros “Participar para Transformar: Sociedade, Natureza e Clima”. Realizadas nos dias 15, 22 e 29 de agosto, na Escola Municipal Arlindo Milton e Centro de Referência em Assistência Social California em Araucária e na Regional Tatuquara, em Curitiba, as atividades criaram um espaço de escuta, formação e construção coletiva sobre mudanças climáticas, natureza e território.

Ao todo, o ciclo reuniu 108 participantes, entre moradores, lideranças comunitárias e representantes de iniciativas ligadas à educação, juventude, saúde, cultura, meio ambiente e organização comunitária. 

Foto: Gabriel Marchi ©

“Os dados científicos são essenciais para compreender as mudanças climáticas, mas quem vive no território também produz conhecimentos a partir da experiência cotidiana. Aproximar esses saberes é fundamental para construir estratégias de adaptação coerentes com a realidade local”, destacou Rafael Sezerban, coordenador do Observatório Climático do Alto Iguaçu.

Foto: Gabriel Marchi ©

Do reconhecimento do território à capacidade de ação

O percurso formativo foi organizado em três movimentos complementares. No primeiro encontro, os participantes reconheceram o território e identificaram, em mapas, potencialidades, problemas e situações de vulnerabilidade. No segundo, aprofundaram a compreensão dos riscos climáticos. No terceiro, discutiram cidadania, preparação para eventos extremos e formas de articulação comunitária.

Entre os temas abordados estiveram Mata Atlântica, biodiversidade, disponibilidade de água, regulação da temperatura, clima urbano, ilhas de calor, enchentes, rios urbanos, saneamento, serviços públicos e participação social. Os debates também relacionaram os efeitos das mudanças climáticas às desigualdades sociais e às condições de infraestrutura de cada território.

Em Araucária, moradores relataram preocupações      com a redução da vegetação, crise hídrica, a poluição do ar e descartes de resíduos em locais indevidos. No Tatuquara, ganharam destaque as dificuldades de mobilidade, a distância em relação a outras regiões da cidade, a falta de áreas verdes e a necessidade de ampliar a escuta das comunidades pelo poder público.

 

Foto: Gabriel Marchi ©

Conhecimento local orientará as próximas etapas

Os mapas produzidos durante o primeiro encontro, os registros das discussões e a Matriz FOFA — ferramenta que organiza forças, oportunidades, fraquezas e ameaças — serão sistematizados pelo Projeto. O material ajudará a compreender vulnerabilidades e potencialidades percebidas pelas próprias comunidades e servirá de subsídio para as próximas ações do projeto.

A participação comunitária continuará por meio da rede formada durante a capacitação, incluindo o grupo de WhatsApp criado com lideranças e moradores. Entre as próximas etapas está uma série de oficinas para aplicação da Lente Climática, metodologia que articula saberes locais e análise de políticas públicas sob a perspectiva dos riscos associados às mudanças climáticas. Ao final do projeto, está prevista a construção coletiva de minutas de políticas públicas conectadas às demandas identificadas nos territórios.

“Um dos principais resultados foi criar um espaço no qual a comunidade não apenas recebeu informações, mas apresentou percepções, experiências e demandas. Essa escuta permite reconhecer vulnerabilidades e potencialidades que muitas vezes não aparecem nas bases formais de dados”, disse Rafael.

 

Foto: Gabriel Marchi ©

Foto: Gabriel Marchi ©

Participação diversa e acessível

O ciclo contou com intérpretes de Libras, apoio de transporte e atividades de recreação para as crianças. As medidas foram adotadas para ampliar a acessibilidade, acolher diferentes públicos e possibilitar a participação das famílias durante a programação.

Entre as iniciativas representadas estiveram a União das Associações de Moradores de Araucária (UNAMAR), Associação Reação Periférica, Ponto de Cultura e Memória Zé Baiano, Associação Juventude Araucariense (AJA), Clube de Mães, Saúde nas Escolas e Respira Araucária. A diversidade de trajetórias permitiu relacionar os conteúdos apresentados às experiências e aos desafios vivenciados nos diferentes bairros.

Foto: Gabriel Marchi ©

Moradora local     , Márcia Teixeira Rego relatou como os eventos de chuva intensa alteraram profundamente sua vida. “Perdi uma casa e todos os móveis. Hoje, moro em uma peça construída em uma parte mais alta, mas, quando chove, não consigo sair porque tudo alaga. Isso mudou completamente o meu cotidiano”, conta.

Para Carlos da Silveira, morador do bairro Campina da Barra, em Araucária, a conservação da vegetação deve estar entre as prioridades. “Precisamos priorizar o plantio de árvores e combater a devastação e o corte da vegetação. Sem árvores, não vivemos e não respiramos. Precisamos cuidar delas para que as futuras gerações também tenham condições de construir suas vidas”, afirma.

A diversidade dos participantes também chamou a atenção de João Vitor, estudante de Arquitetura e morador do bairro Tindiquera, em Araucária. “O que mais me interessou foi ver a participação de pessoas de diferentes bairros e classes sociais, todas engajadas nessa temática, apresentando os problemas de suas comunidades e propondo formas de melhorar e transformar essa realidade”, destaca.

Foto: Gabriel Marchi ©

As atividades foram conduzidas pela equipe do OCAI/SPVS, com a participação de Rafael Sezerban e Letícia Portela, a mediação de Cristiane Ferreira e as contribuições dos professores Harry Bollmann e André Turbay, do LabClima da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Também participaram moradores e lideranças com diferentes trajetórias de atuação comunitária. 

 

Sobre a SPVS

Fundada em 1984, a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) é uma das mais relevantes organizações conservacionistas do Brasil, com foco na conservação da Mata Atlântica. Atua com inovação, base técnica sólida e visão restaurativa do desenvolvimento, valorizando a natureza como ativo estratégico para o bem-estar humano e para a adequada gestão territorial.
www.spvs.org.br

 

Sobre o Observatório Climático do Alto Iguaçu

O Observatório Climático do Alto Iguaçu é uma iniciativa da SPVS realizada em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, voltada à produção e integração de conhecimentos sobre clima, natureza e território em uma área de aproximadamente 6,2 mil hectares entre Curitiba e Araucária. O projeto busca fortalecer a participação social e apoiar a construção de estratégias e políticas públicas capazes de reduzir vulnerabilidades e ampliar a resiliência climática.

 

Escrito por Claudia Guadagnin, assessora de imprensa da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e da Grande Reserva Mata Atlântica. 

claudia@spvs.org.br/41. 99803-4948. 

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