SIGA-NOS

SPVS lança guia que auxilia na identificação de espécies de aves de rapina na Mata Atlântica

Imagem de harpia voando.

As aves de rapina, ou rapinantes, são aves predadoras que possuem características bem peculiares, como as garras curvas e fortes, o bico afiado em forma de gancho para facilitar a caça, a audição extremamente potente e a visão preparada para ampliar a percepção sobre as presas. No Brasil, são encontradas mais de 90 espécies de rapinantes. Algumas ocorrem na Mata Atlântica Paranaense, entre elas a Harpia, a maior ave de rapina do nosso país e uma das maiores e mais fortes do mundo. 

Desde 2020, a SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) desenvolve estratégias de conservação da Harpia no estado do Paraná. As ações buscam apoiar a conservação e a recuperação da ave no estado. Por ser uma ave muito grande – as fêmeas podem chegar a nove quilos e ter uma envergadura de mais de dois metros de comprimento – precisa de grandes áreas naturais conservadas, daí a importância da existência de remanescentes florestais conectados, que reúnem unidades de conservação, como reservas biológicas, parques nacionais, estações ecológicas e reservas particulares do patrimônio natural (RPPNs). 

Mais de 90% da Mata Atlântica foi devastada ou degradada desde o período de colonização do Brasil. A maioria dos grandes centros urbanos fica localizada em áreas que eram ocupadas por essa floresta. Com isso, a espécie passou a ter dificuldade para encontrar recurso alimentar – como preguiças e macacos, que só existem em florestas bem conservadas – e também árvores altas para a construção de seus ninhos. Eles têm cerca de dois metros de diâmetro e são construídos, principalmente, em árvores emergentes. 

Imagem de filhote de harpia sendo alimentada na boca.

Guia de Rapinantes Florestais Ameaçados da Mata Atlântica Paranaense 

Em setembro de 2022, foi tornado público o Guia de Rapinantes Florestais Ameaçados da Mata Atlântica Paranaense. O material vinha sendo desenvolvido desde 2021 pela equipe da SPVS que atua no projeto, em parceria com fotógrafos brasileiros e com o apoio direto da Itaipu Binacional. A Itaipu mantém hoje o que é considerado o maior e mais bem sucedido programa de Reprodução da Harpia do mundo. Desde 2009, já nasceram no Refúgio Biológico mantido pela companhia 56 harpias e sobreviveram 38, um número bastante expressivo para uma espécie que sofre um risco tão agudo de extinção. 

O guia apresenta, de maneira simples, objetiva e didática, informações que possibilitam a identificação e o reconhecimento de algumas das aves de rapina ameaçadas e raras da Mata Atlântica, mais especificamente, do estado do Paraná. Ao todo, foram listadas oito espécies de rapinantes para compor o material. O critério para a escolha das aves foi baseado em espécies “raras”, “ameaçadas” e “bioindicadoras”, ou seja, que precisam de uma floresta bem conservada para viver. Sua presença reflete um bom indicativo da conservação das áreas onde elas existem. De acordo com a técnica do projeto e coordenadora dos projetos de fauna da SPVS, Roberta Boss, algumas das espécies selecionadas são raras e possuem poucos registros no Paraná. 

Por isso, o guia é fundamental para ajudar na identificação básica das espécies. “Ele será distribuído aos principais colaboradores do projeto, para que consigam identificar as espécies e relatar à equipe da SPVS. As comunidades locais são nossos principais aliados na busca por espécies raras e trazem muitas informações valiosas para a conservação delas” explica. 

Mesmo que a elaboração do material tenha sido pensada, principalmente, para os moradores das áreas naturais das regiões de Mata Atlântica paranaense inseridas no território da Grande Reserva Mata Atlântica e no Parque Nacional do Iguaçu, o guia também pode ser aproveitado pelo público em geral que tenha interesse e curiosidade sobre as aves de rapina. 

ELE PODE SER ACESSADO AQUI 

“Não há como falar sobre conservação e aumento da população de harpias na natureza, sem tratar da necessidade do investimento em conservação e proteção de florestas maduras. O investimento na conservação das florestas é tão urgente quanto a conservação da harpia em si”, conclui Roberta.

Fale com nossa
assessoria de
imprensa

Você também pode
gostar de ler...