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Projetos Seqüestro de Carbono

Projetos de Seqüestro de Carbono
Perguntas e Respostas

Como os Projetos foram viabilizados?
A aquisição de 19 mil hectares de áreas degradadas e de elevada importância biológica na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba foi o primeiro passo para a implementação dos Projetos. Dessa forma, a SPVS deu início, em 1999, a uma iniciativa que reúne duas ações fundamentais: a conservação de um dos mais importantes remanescentes de Floresta Atlântica do Brasil e o desenvolvimento de projetos de captação de carbono, a fim de combater os efeitos do aquecimento global. Esse trabalho pioneiro somente foi possível graças a uma parceria com a organização não-governamental norte-americana The Nature Conservancy (TNC). A TNC foi a responsável pela captação dos recursos e estabelecimento de parcerias com as empresas American Electric Power (AEP), ChevronTexaco e General Motors.

Qual é a importância dessa parceria?
Atualmente, a maioria dos ecossistemas naturais do mundo sofre com a perda drástica de áreas e uso inadequado de recursos. A aproximação da iniciativa privada, dos órgãos governamentais e da sociedade com o terceiro setor é um esforço fundamental para ajudar a resolver esse problema. Baseados no conceito de responsabilidade social, as empresas e os cidadãos colaboram com a SPVS e outras ONGs em seus objetivos, sendo recompensados pela publicidade obtida com o sucesso das iniciativas e, especialmente, pelo esforço de tentar tornar o mundo um lugar melhor e mais equilibrado para se viver.

Por que a Floresta Atlântica?
Com diversidade biológica admirável, a Floresta Atlântica abriga 15% de todas as formas de vida do planeta. O ecossistema conta com 1,6 milhão de espécies animais, incluindo insetos, e mais de 20 mil tipos de vegetais. Inúmeras deles são endêmicos, ou seja, exclusivos do bioma. Toda essa riqueza, porém, encontra-se ameaçada, uma vez que cerca de 3 mil espécies de plantas, mais de 100 espécies de aves e 35 espécies de mamíferos correm risco de desaparecer.

Onde funcionam os projetos?
Os projetos são desenvolvidos na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba, litoral norte do estado do Paraná. As ações são realizadas em três reservas naturais de propriedade da SPVS e também nas comunidades localizadas nas proximidades das áreas. As Reservas Naturais Morro da Mina e Cachoeira estão localizadas no município de Antonina e a Reserva Natural Serra do Itaqui encontra-se situada no município de Guaraqueçaba. Essas áreas estão sendo restauradas, conservadas e transformadas em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) – instrumento da legislação brasileira que incentiva o estabelecimento de unidades de conservação e garante que elas não terão outro destino no futuro. O estabelecimento de RPPNs garante o repasse dos benefícios financeiros do ICMS Ecológico aos municípios onde elas estão situadas, uma vez que eles mantêm unidades de conservação em seus territórios.

Por que a APA de Guaraqueçaba é tão importante?

Em todo o Brasil , a porção mais bem conservada da Floresta Atlântica encontra-se na região da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba, que abrange cerca de 315 mil hectares e se estende por quatro municípios do estado do Paraná: Guaraqueçaba e porções de Antonina, Paranaguá e Campina Grande do Sul. Á área abriga o terceiro mais importante complexo lagunar-estuarino do mundo, um rico berçário para inúmeras espécies animais e vegetais. Constituída por montanhas, planícies litorâneas, enseadas, baías, rios, ilhas e diferentes formações vegetais como mangues, restingas e florestas, a APA de Guaraqueçaba foi declarada Reserva Natural da Biosfera pela UNESCO em 1999.

Quais as principais ameaças ao meio ambiente na APA de Guaraqueçaba?
A região da APA de Guaraqueçaba, incluindo as áreas onde se localizam os projetos da SPVS, estão sob iminente ameaça de desmatamento. Dentre os principais fatores, a criação de búfalos em locais inapropriados e sem monitoramento adequado foi identificada como a ameaça número um, por ser a atividade que mais gerava desmatamento e degradação ambiental, além de ter introduzido na região uma espécie exótica, a Brachiaria sp. Utilizada como alimento nas pastagens dos búfalos, essa espécie causa grande impacto no meio ambiente devido à sua fácil dispersão e capacidade de invasão em áreas naturais. Outra ameaça é a agricultura convencional, que utiliza diversos tipos de venenos e agrotóxicos, contaminando o solo e a água. Além disso, a extração indevida de árvores nativas, como o palmito, e o tráfico de animais silvestres contribuem para desequilibrar o ecossistema.

Quais os objetivos dos projetos?
Os projetos visam conservar a biodiversidade, por meio da proteção de florestas e da restauração de áreas degradadas com o plantio de espécies nativas da Floresta Atlântica. Para tanto, a SPVS conta com dois viveiros que juntos podem produzir cerca de 300 mil mudas por ano, cultivadas a partir de sementes coletadas manualmente. Isso contribui com o aumento do tamanho das áreas de refúgio para várias espécies de animais. Serve ainda como proteção para as bacias hidrográficas, controlando a erosão e o assoreamento, bem como garantindo o abastecimento de água na região. O manejo dos búfalos ainda presentes nas áreas da SPVS também é de vital importância, já que esses animais são uma espécie exótica e podem prejudicar o meio ambiente. Todas essas ações irão possibilitar a captação do dióxido de carbono (CO2) ou gás carbônico, um dos principais gases causadores do efeito estufa.

Como ocorre o aquecimento global?

Ocasionado pela associação de uma série de gases, o efeito estufa é responsável pela retenção do calor emitido pela Terra, o qual é gerado pela radiação solar. Se esse mecanismo não existisse, a temperatura média no planeta seria 30 graus abaixo dos níveis atuais. Com isso, várias espécies animais e vegetais desapareceriam e a configuração natural de inúmeras áreas habitadas pelos seres humanos seria alterada. Se por um lado o efeito estufa é benéfico, por outro a concentração excessiva de seus gases, especialmente o CO2 , acaba formando uma barreira que dificulta a liberação para o espaço da energia refletida pela superfície da Terra. Esse fenômeno, provocado pelo homem, tornou-se conhecido como aquecimento global. Causado principalmente pela queima de combustíveis fósseis, o aquecimento global é hoje responsável por alterações drásticas no clima de todos os continentes e pelo aumento do nível dos oceanos.

Como o CO2 é capturado?
O incremento da biomassa vegetal (plantio de árvores) ‘seqüestra’ o dióxido de carbono da atmosfera e colabora para amenizar o aquecimento do planeta. O reflorestamento homogêneo (monocultura) de áreas degradadas, por si só, já garantiria a captação do CO2 e sua fixação na floresta. O trabalho da SPVS, porém, conta com um diferencial, porque envolve a restauração da floresta original, com toda a diversidade de suas espécies nativas. Com o objetivo de acompanhar a capacidade de absorção de carbono pela floresta, os pesquisadores da SPVS realizam monitoramento constante, com base em metodologias aceitas internacionalmente, reconhecidas por sua eficiência e qualidade. Essas metodologias envolvem medições de árvores, avaliação de seu crescimento e uso de equações para cálculo da biomassa vegetal.

O que é a Convenção do Clima?

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima foi assinada por mais de 150 países em junho de 1992, durante a ECO-92, no Rio de Janeiro. O objetivo principal da convenção é alcançar a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça uma interferência humana perigosa no sistema do clima. A convenção reconhece que a maior parcela das emissões globais, históricas e atuais de gases de efeito estufa é originária de países desenvolvidos, devendo estes estabelecerem medidas de redução de suas emissões, assim como investir em projetos de conservação ambiental e de captura de carbono nos países em desenvolvimento, como o Brasil.

Como a SPVS cuida das áreas dos projetos?
A SPVS tem contratados cerca de 70 trabalhadores responsáveis pelo manutenção das reservas naturais, todos moradores de comunidades vizinhas aos Projetos. Coleta de sementes, trato e plantio de mudas, vigilância e fiscalização das áreas e manejo dos búfalos remanescentes são atividades executadas pelos funcionários. Os contratados possuem todos os direitos trabalhistas assegurados, benefício substancial em um região onde predomina o emprego informal. Além disso, recebem treinamento técnico especializado, seguro de vida, plano de saúde, cursos de alfabetização e programa de assistência social estendido a familiares.

Que outros benefícios têm sido gerados?
Por meio de atividades educacionais realizadas no âmbito dos projetos, a SPVS possibilita que funcionários e familiares, assim como moradores locais, possam construir uma nova relação com a natureza, fundamentada em valores e conhecimentos em prol da conservação ambiental. Para isso, conta com um espaço privilegiado: o Centro de Educação Ambiental (CEA), situado na Reserva Natural do Cachoeira. A SPVS também tem promovido com as comunidades tradicionais ações de geração de renda e de valorização do capital social, todas compatíveis com a proteção ambiental. Trata-se de uma importante estratégia de conservação adotada pela SPVS na região. Uma das atividades já em operação envolve pequenos produtores dos municípios de Guaraqueçaba e Antonina. Eles estão desenvolvendo o cultivo da banana orgânica, livre de agrotóxicos. No campo da pesquisa e da ciência, a SPVS já mantém diálogo com instituições de ensino superior para o estabelecimento de parcerias. Estudantes e pesquisadores podem usufruir da infra-estrutura de cada reserva para o desenvolvimento de seus estudos.

 
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